quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
The sushi train (sushi densha wa des)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Daft Punk
Para festejar mais uma vez o fim do projecto, fui domingo ao concerto de Daft Punk (para quem não conhece ... visite http://pt.wikipedia.org/wiki/Daft_Punk ).
E QUE CONCERTASSO!!! Absolutamente fantástico, tanto em termos de música (que obviamente gosto muitíssimo), como de espectáculo de luzes. Se num futuro próximo os poderem ver, mesmo que não gostem de música electrónica, ponham uns valentes tampões nos ouvidos e vão, só para ver as luzes ...
Mas para além da qualidade do concerto, foi também extraordinário assistir a um concerto destes aqui.
De facto, nunca tinha viso japoneses loucos. Corrijo: loucos são muitos (hehe) mas nunca tinha vistos Japoneses em manifestação tão efusiva de delírio.
Nos nossos concertos, muitos estão a assistir tranquilamente de mão nos bolsos, outros abanam um pouco mais e outros, mas menos estão histéricos. Aqui, TODOS estavam histéricos. E percebe-se, não só o concerto foi excelente, mas a actuação dos Daft Punk tem tudo a ver com o Japão contemporâneo: vêm mascarados com uns fatos e capacetes (remetendo ao imaginário bizarro que hoje se vive no Japão ... noutra altura vos falarei mais sobre isto), com um cenário incrível onde as mudanças de luzes geravam reacções no público quase tão fortes quando começava uma música mais conhecida. Com tantas luzes que esta cidade tem, poder-se ia pensar que neste concerto não teriam tanto impacto nos Japoneses, mas antes pelo contrário...
Diria que seria um mundo totalmente diferente se não fosse um pequeno pormenor ... quando começavam as músicas mais conhecidas (com especial ênfase no “One more time”), como bons Japoneses que são, quando é para saltar, todos (e digo todos) saltam ao mesmo tempo.
Imaginem uma sala ligeiramente maior que o pavilhão Atlântico em que tudo salta ao mesmo tempo ... acho que desviámos ligeiramente o eixo da terra....
Tanto falo em luzes que o melhor mesmo é verem as fotografias e os vídeos... se bem que pouco reflectem o valor do concerto!!
Atenção com o som dos vídeos... recomendo que ponham muito baixinho porque filmei com o telemóvel destorceu parte do som...
E vejam o terceiro filme até ao fim, para assistirem a uma pequena demonstração de loucura!
Projecto e aula de cultura
Voltei !!
Como tinha dito anteriormente, a minha ausência deveu-se a uma entrega de projecto. Felizmente já está feita, e cá estou de volta, para contar como tudo se passou ... cá vamos.
- APRESENTAÇÃO
A apresentação era a do famoso projecto de Delirious Suburb ... o tal que não me apetecia muito fazer, que continuou a não me apetecer muito fazer mas que ... até correu muitíssimo bem, bem melhor do que eu estava à espera !
As apresentações seguiram a regra habitual tanto das aulas como de qualquer tentativa de comunicação com Japoneses : em Japonês.
Obviamente apenas percebi dos projectos dos Japoneses o que mostravam em imagem e, para ser justa, mais algumas palavras que um simpático colega nos ia traduzindo...
Chegando à minha apresentação (e à do Jan, o famoso belga), pediram-nos para falar devagar, claro. E, para quem me conhece, bem ficaram admirados por saber que ... nunca falei tão devagar na minha vida ! hehe
Mas ainda bem, porque tornou a apresentação e o projecto bem mais inteligíveis, sobretudo para esta audiência.
Quanto aos comentários, esses foram-me dirigidos a toda a velocidade e, sem meias medidas ... em japonês. Nos primeiros tempos só conseguia decifrar as seguintes palavras: conceptô, kenchiku, sugoi, que significam: conceito, arquitectura, e “great”, e que repetidamente iam sendo proferidas. (podem sentir o meu ego a crescer...)
Enquanto o júri falava e gesticulava em frente ao meu projecto, eu lá ia sorrindo com um ar meio aflito de “certo, percebo que deve estar a correr bem mas .... alguém se importa de traduzir ?!”, enquanto suplicava o Professor Ando com o olhar, para que me salvasse dessa situação.
Finalmente o efusivo membro do Júri - que pouco fala inglês mas que tantos “sugoi” dizia - calou-se, deixando espaço para que os professores, que falavam inglês, se manifestassem e confirmassem que as críticas gerais tinham sido positivas (poupo-vos os pormenores...), tanto para mim como para o Jan, e ainda recebemos umas palmadas nas cotas com um niponérimo sotaque “gud jobu” (para quem não tenha percebido: good job...).
- O FESTEJO OU “A AULA DE CULTURA”
A seguir à apresentação, por alguma razão que não percebi acabámos por ficar só o belga, eu e o Professor Ando (que nunca diz não a um festejo e a uma bebida... é de facto fascinante, este senhor, sem ser um típico alcoólico, tem sempre como critério de escolha de restaurantes se é possível beber uma cerveja ou não e quando temos algum evento, esse evento terminarã sempre com uma “drinking party”...).
Neste panorama, fomos os três para um dos antigos bairros de Tokyo, Asakusa, para um pequeno festejo...
Passámos as avenidas principais para entrar nas “backstreets” de Tokyo, que são absolutamente fascinantes por parecer que de repente, depois dos edifícios enormes, largas avenidas e néons e luzes publicitárias, entramos noutro mundo.
De facto, nestas ruas secundárias, entramos numa escala radicalmente diferente, com ruas sinuosas e casas pequenas, lanternins tradicionais à porta dos restaurantes, portas deslizantes em papel, restaurantes e bares locais que fogem às mil cadeias de se vêm proliferar por Tokyo.
Neste cenário, entrámos na isakaya (tasca) mais cheia (bom indicador) e lá nos sentámos no tatami, ou seja de meias e de perna cruzada com o rabo no chão. Ah pois. Não me perguntem como é que conseguem ficar horas assim a divertirem se... eu vou me habituando, mas parte da diversão que tenho neste tipo de sítios é canalizada para esquecer as dores com que fico nas costas e nas pernas dormentes !!!
E do que consiste a “drinking party japanese style” ? De sake, muito sake (para mim quente de preferência ... tenho a dizer que é óptimo!) e muita comida a acompanhar. Mas como qualquer refeição japonesa, não são pratos consistentes, mas uma sucessão de pequenos aperitivos e sushi ou sashimi.
Sabendo que para o Ando estas festas são para o Jan e para mim “aulas de cultura”, tivemos direito ao “nível intermédio” que consistia em aperitivos um pouco ais bizarros que o habitual, como por exemplo pele de peixe balão e konyaku (gelatina de batata)... que eram ambos bastante bons.
Depois de umas valentes 2 horas sentados nos chão em animada cavaqueira e conversas sobre cultura japonesa, fomos literalmente expulsos da tasca que estava a fechar. Não contente com este facto, ao caminharmos para a estação para voltar para casa, o Ando decidiu que ainda tínhamos tempo para mais uma cerveja, olha para o lado, vê um pequeno bar e diz, “is this good enough for you? it’s good enough for me”.
E o que era ? Um tipo de bar que ainda se vê bastante nestas ditas ruas secundárias: São micro bares, onde apenas cabem 2 a 4 pessoas, criados pelos donos há 30 anos atrás para servir eternamente os mesmos 2 a 4 clientes. Imaginem a cara da dona e dos 2 clientes habituais quando lhe entram pelo estabelecimento a dentro 3 estranhos, 2 dos quais estrangeiros...
Enfim, este fim de noite complementou, e de que maneira, esta nossa aula de cultura: tanto pela descoberta do micro bar, pelas conversas com os dois clientes que já lá estavam mas, acima de tudo - e sabendo que qualquer bar japonês que se preze tem o seu próprio sistema de karaoke - pela demonstração de cantoria pela dona do bar e de um dos clientes, que depois nos incentivaram a cantar também... que festa !
O Ando que jurava a pés juntos que não cantava em karaokes não resistiu a pegar no microfone. Deve lhes correr no sangue...
o Jan e o Ando em grandes cantorias !
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
RETIRO DE TRABALHO
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Kanji
Ando Lab Party
Vou recordando eventos à medida que tenho tempo, claro, mas também à medida que me apetece falar neles... como para os deixar amadurecer um pouco talvez, ou poder acrescentar algumas considerações, ou juntar num só relato vários episódios.
Agora com o meu novo melhor amigo (o Mac), que às vezes vem comigo para o atelier, torna-se bastante mais fácil ir escrevendo durante o meu tempo de commuter... a minha leitura é que, coitada, vai levar uma valente talhadela...
O evento que agora vos apresento passou-se na semana passada, sexta-feira. Por coincidência, ou por fruto da minha vida tripartida Tokyoita (Chiba, Tokyo, Atelier), numa mesma noite tinha três eventos: festa no atelier, para a despedida de um que acabou de ser colocado no atelier Ban de Paris ; festa de chegada a Tokyo dos Ausmips de Fukuoka (cidade noutra ilha mais a Sul), nomeadamente do Sebastien, meu outro grande amigo que veio também da faculdade de Lisboa e finalmente, uma Ando-lab Party, em honra dos anos do professor Ando, de mais dois alunos e de mais outros quantos acontecimentos que agruparam na mesma festa.
Regra de honra posta em prática neste caso, a do maior respeito, e para Chiba me dirigi.
A festa, marcada para as 5 da tarde, na faculdade, constava de um jantar, feito ali mesmo pelos alunos – já referi em tempos que uma das salas tem uma cozinha improvisada -, com os alunos do laboratório, o famoso professor Ando e dois aliens, o belga e eu.
Continuo a referir-me a nós como aliens porque apesar de sermos já bastante amigos de alguns alunos japoneses, dentro do contexto geral do departamento de arquitectura, somos um fenómeno. Não pensem que é falta de humildade o que aqui escrevo, mas às vezes é assim mesmo que o sinto... fenómeno não por feitos realizados, mas simplesmente por sermos uma espécie de atracção.
De facto, por várias vezes já me foram apresentadas pessoas com o seguinte comentário: “they will come sometimes to talk to you”. Certo...
Tenho vindo a perceber que isto tem dois motivos: o primeiro, o facto de sermos europeus e trazermos todo um leque de conhecimentos diferentes, sobre os quais os japoneses estão genuinamente interessados. Segundo, somos um óptimo meio para eles treinarem o Inglês.
Na festa quase que vinham falar connosco à vez. Fiquei deliciada... não só é uma demonstração perfeita de acolhimento, como uma diversão pegada, para nós e para eles.
Ao lado do Jan, à direita, o Junichi, que esteve em Lisboa, e ao meu lado, o famoso Mr. Ando, na festa
Confesso que é uma massagem ao ego extraordinária contar coisas várias, sobre Portugal, Europa... e ter pessoas a ouvir que realmente estão a ouvir e a absorver.
Exemplo: começámos a falar em torres, um dos alunos japoneses que tinha estado em Lisboa falou na Torre de Belém, em jeito de brincadeira, pelo tamanho comparado com os arranha-céus...
Eis se não quando dou por mim a dar uma pequena aula sobre Lisboa, Belém, a Torre, os Jerónimos ... apenas a tentar dar algumas luzes sobre o nosso papel nos descobrimentos e o sentido que tinham para Portugal.
Já estava contente por ter uma audiência tão atenta quando, vejo a cereja sobre o bolo: um dos alunos (de arquitectura, e momentaneamente meu aluno também...) estava a tirar apontamentos !!!
Que maravilha...
O quadro e o aluno atento ....
Outra característica destes meus hóspedes é serem altamente fofoqueiros, de tal forma que qualquer informação é rapidamente circulada pelos restantes.
Um dos episódios que já me ocorreu foi de ter uma vez perguntado a um deles se conhecia um grupo chamado “yura yura teikoku”, que tinha ouvido na Fnac cá do sítio e tinha-me parecido bom. Na festa, tenho de repente um grupo de semi góticos com um ar um tanto duvidoso, a virem ter comigo com um ar feliz e dizer
“You like Yura yura teikoku? We are yura yura teikoku fans!”
Imaginem o meu espanto ... que ando eu a ouvir ?!! E que andam eles por aí a contar...!
De resto, a festa constou de (muito) álcool, muita comida (constantemente a servirem-me mais...) e muita diversão, que culminou com a saída nocturna... para o karaoke!
Não sei se sabem, mas o karaoke nasceu no Japão, e é o divertimento predilecto dos Japoneses. Em qualquer terriola, rua ou avenida existe um karaoke. Em Tokyo então vêem-se prédios atrás de prédios SÓ para karaoke. Melhor : já me constou numa das minhas aulas que há companhias imobiliárias a desenvolverem projectos onde, da mesma maneira que para nós um “extra” nos novos condomínios são os ginásios, para eles é ... uma sala de karaoke.
E do que consta? Várias salinhas, com capacidade para 2 a 12 pessoas (acho que há umas maiores mas ainda não as vi), com um ecrã gigante, 2 micros, e acessórios musicais – tipo marracas.
E os Japoneses são tão loucos por isto que nesta saída, em que deveríamos ser uma dezena, comecei a estranhar ao fim de um tempo por sermos só 5 dentro da sala. Quando perguntei onde estavam os restantes obtive a seguinte resposta:
“estão na sala do lado ... 10 numa só sala canta-se pouco”.
Ah bom... visto assim, têm toda a razão! E começo a achar que as salas maiores são só para estrangeiros... como nós.
Quem me conhece sabe bem que canto tão bem quanto ... uma cana rachada. Mas sim, cantei que me fartei!
Não se preocupem, não rompi os tímpanos a ninguém... estas máquinas de Karaoke são inteligentes: não só costumam estar com um volume altíssimo, de maneira que ouve-se mais o instrumental que a própria voz, como transformam a nossa voz! Dão lhe assim um certo eco, com um ar mais místico... hehe
E o que se canta ? TUDO. Até Madredeus lá encontrei... no meu caso opto pelas clássicas dos anos 80, que serão sempre mais fáceis! Os Japoneses escolhem, claro, músicas japonesas (têm um repertório vastíssimo!) mas também se aventuram a músicas em inglês, que obviamente dá direito a um espectáculo inédito.
Palavras inventadas, atitude rock star nipónico-ocidental... um must!
Performance multi-cultural
E agora confesso... todos estes meus conhecimentos derivam do facto de já ter ido outra vez ao Karaoke, desta vez com mais internacionais... e aqui têm a prova do meu desempenho!
(eu, Nuno -Portugal - e Freya - Belgica )
sábado, 17 de novembro de 2007
A maquete sem fim
Primeiro relato da minha vida de estagiária.
No primeiro dia de trabalho fui colocada na equipa de um concurso para um projecto para uma universidade, Keio. E esta não é uma universidade qualquer, é sim a universidade onde o meu boss ensina. Escusado dizer que a pressão era grande...
Para mim a pressão era outra. Não tanto o ganhar o concurso – isso é lá com eles – mas por ser a primeira vez que me deparo com um desafio tão tremendo quanto ... fazer uma maquete perfeita !!
Como disse noutro post, o meu talento de maquetista é um tanto duvidoso... a minha lógica é a das maquetes de estudo, para se ESTUDAR o que se pretende fazer, logo uma maquete deve ser transformável, remodelável, cortável, recolável etc etc. Para quem não faz maquetes, o resultado destas maquetes acaba por ser, em geral e especialmente no meu caso, algo bastante tosco, mas que cumpre o seu objectivo.
Agora nos ateliers Japoneses, a situação é bem diferente. Qualquer maquete, seja de estudo, final, de apresentação ao cliente ou final, tem de ser absolutamente PERFEITA. Não há marcas de cola, o cartão está sempre imaculadamente branco (o segredo da limpeza e da cola está num spray que não existe/não usamos em Portugal, e que limpa tudo. Até as marcas de tinta e cola na roupa), as paredes têm a espessura certa (não há simplificações: juntam-se os diferentes tipos de cartão que forem necessários, mas a maquete será igual ao real. IGUAL.), tal como nas lajes e, supra-sumo do pormenor, quando se juntam vários materiais para criar uma dada espessura, cola-se um papel à volta para não se verem as várias camadas.
Ah, já me esquecia do pormenor diabólico... à escala 1.200, todas as maquetes têm mobília. Imaginem uma mesa e cadeiras com 4 milímetros de altura... Graças a Deus ainda não tive de fazer mobília, senão aí é que ficava mesmo de olhos em bico!!
E das maquetes a 1.50 nem se falam ... levam televisões, materiais, quadros nas paredes, maçanetas nas portas ... uma arquitectura dos pequeninos !!
Sei bem que não sou uma autoridade para poder criticar, mas parece-me razoável dizer que são LOUCOS. E nem falo da eficiência/vantagem das maquetes com tanto pormenor, isto já é outro debate, com o qual não vos vou chatear agora.
Neste contexto, não admira então que estas maquetes sejam intermináveis.
Voltando um pouco ao tal Projecto para concurso.
Tivemos de fazer umas maquetes de estudo, mas a grande questão é que rapidamente passámos para a maquete final, independentemente de saber se se passava a primeira fase do concurso, porque os prazos de entrega entre fases eram muito curtos.
Logo, mais vale prevenir a atacar já os documentos (maquete) da fase seguinte – sabendo que na primeira fase a maquete não seria usada.
Nisto, após duas semanas desta minha primeira prova de esforço, onde tive de aprender a dominar novas máquinas e tudo, já estava a começar a ver algumas melhorias na minha qualidade de maquetista e ficar finalmente satisfeita com o que fazia.
A data da revelação dos resultados do concurso aproximava-se (quarta-feira), tal como a data da entrega da segunda fase (sexta-feira)... e consequentemente o stress também crescia, alguns dos “staff” começavam a fazer noitadas (noitadas são até às 5/6 da manhã, já que o horário normal é até à meia-noite...).
No auge da pressão, quarta-feira, sabe-se o resultado... não passámos. Ups... Melão.
Staff desiludido, Ban aparentemente a não mostrar grande emoção e estagiários frustrados por estarem a trabalhar para nada... no meu caso foi um sentimento misto de trabalho em vão versus ter de me matar mais dois dias caso tivéssemos passado... acrescentando o facto de agora não ter problema de consciência absolutamente nenhum por ter algumas partes da maquete menos nipónicas e bem mais toscas !
O que disse ao staff com quem mais trabalhava (que me pedia desculpa a mim por não termos passado... estranho...) foi que, on the bright side, foi o meu tempo de treino! Nada se perde, tudo se ganha...
Sobretudo para mim, obviamente não só em termos de talento de maquetista, mas sobretudo por perceber o sistema das grandes competições, o tempo investido, a preparação da apresentação... e como gerir a desfeita: atacar o próximo projecto.
Na meia hora a seguir à notícia metade dos estagiários já estavam a ajudar noutro projecto com entrega iminente, e eu recolocada para rematar mais uma entrega de concurso, mas desta vez com trabalho a computador (uff... sinceramente acho que estava a ficar com o dedo indicador mais musculado de fazer força no x-acto).
A partir da próxima semana tenho a sorte de trabalhar num projecto (já adjudicado) desde o desenho inicial...
Ah, a famosa maquete, essa, ficou duplamente sem fim!
Na sala de maquetes, com ar de fim de festa, e a famosa maquete ainda aos pedaços
Uma sala de aulas...
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Um extra ao post anterior
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Commuter Life
Entrei no mundo da Apple. De facto, o meu velho computador estava a dar sinais de fim de vida e, após um bom estudo de mercado e a constatação de uma diferença de preço significativa, optei então por tornar-me uma mac user. MacBook preto.
E que maravilhoso mundo novo! Estou conquistada... pelo design (é preto, 13 polegadas widescreen .... lindo), pelo sistema ... tudo. E sinceramente arranjar programas não é assim tão complicado...
Feliz e contente estou eu portanto, com o meu novo “friend for life” no colo – palavras de uma do atelier, utilizadora há já alguns anos.
Sim, no colo, porque não estou em casa, mas no comboio.
Parece-me que atingi o estado derradeiro de vida no comboio... vir de computador atrás e trabalhar nele. Se estivesse em Portugal, provavelmente não me aventurava a tal coisa. Teria pessoas a olhar de lado “olha esta a exibir-se”, e outros eventualmente a pensar como me assaltar... E obviamente, outros tantos a lerem o que escrevo.
Mas aqui, onde todos exibem algum sinal de riqueza – em equipamento electrónico ou em acessórios Louis Vuitton e companhia - e onde a segurança é extrema – poderia adormecer profundamente com o computador ao colo que ninguém me levaria o portátil – estou confortável e segura a escrever-vos.
Por acaso os japoneses até são bastante fofoqueiros e cuscos, de maneira que o senhor sentado ao meu lado esteja provavelmente a ler o que escrevo (a senhora do outro lado dorme...), mas a probabilidade de perceber o que escrevo é bastante remota.
Estando no comboio, aproveito a ocasião para escrever sobre a minha experiência de “commuter” nestes quase dois meses (já!!).
Primeiro, o próprio termo de “commuter”, ou seja “a regular journey of some distance to and from one's place of work.”.
(entretanto mudei de linha ... estou agora na Yamanote, a linha circular de Tokyo... e como apanhei numa boa estação, está praticamente vazio e tive lugar para me sentar e ... continuar a escrever)
As viagens de comboio têm se demonstrado como um pequeno observatório da sociedade japonesa... assim como um pequeno tubo de ensaio, no qual também me encontro – sentido por vezes os seus efeitos – mas onde permaneço, apesar de tudo, uma observadora. Por pontos, as minhas primeiras deduções:
1º. Como provavelmente já sabem, a cultura japonesa é extremamente ascética na demonstração de afectos, no toque... não se dão abraços, não se dão beijinhos e só quando há já alguma relação de amizade se põe uma mão no ombro, se dá uma palmada nas costas ... etc. (dada a evolução da sociedade, começam a ver-se casais com alguma demonstração de afecto ... mão dada, cabeça no ombro, etc, mas raros são os que vão para alem disso)
No metro/comboio, todos estes pudores desaparecem. Andamos colados, a respirar no pescoço do vizinho, os corpos em conjunto movimentam-se conforme o baloiçar da carruagem – em certas situações quase se perde o equilíbrio, mas sempre em silêncio ... fosse em Lisboa estava tudo aos berros....
**actualização temporal: 12 horas depois, no meu quarto ... queria ter continuado a escrever na viagem de regresso, mas estava tão cheio que foi impossível.
Esta viagem de regresso foi mais um exemplo de “sardinhite”. Estava praticamente ao colo de um que estava sentado (sortudo).**
2. O comboio como um conjunto de bolhas pessoais.
Explico: no metro, tudo se faz: maquilhar-se, escrever no telemóvel, ler jornal, ler livros, jogar playstation (versão portátil), escrever no computador – não sou a única - e claro, dormir.
Só há duas coisas que não convém fazer: comer e falar ao telemóvel. Comer ainda se percebe, mas agora falar ao telemóvel confesso que não percebo ... ainda por cima os telemóveis andam sempre em modo silêncio (se tocar em alto e bom som olha tudo). Se estivesse com alguém ao meu lado à conversa, faria o mesmo barulho... Nestes dois pontos, comer e falar ao telemóvel, assumo a minha posição de estrangeira e quebro as regras.
Todas estas regras subliminares ao uso do metro remetem à sua principal característica: a total ausência de relação com o próximo. Posto de outra forma, é como se cada pessoa saísse de casa com uma bolha à volta do seu corpo, transportasse essa bolha para dentro do metro e, protegida dentro dela, continuasse a sua vida pessoal, apesar de rodeada por uma quantidade de incógnitos.
Talvez seja exactamente este anonimato que permita estar tão abstraído do que (dos que) nos rodeia...
3. O exemplo mais característico de viver na sua maior intimidade apesar da marabunta que nos rodeia: o dormir.
Já repararam como o dormir é a anulação completa do controlo sobre o nosso corpo e sentidos?
Ao dormir ressona-se, abre-se a boca, baba-se, cai-se para o lado (para cima do ombro do vizinho, que por respeito ou pela regra implícita de não entrar na bolha pessoal do próximo, não o afasta). Que espectáculo humano !!
Confesso que já me aconteceu. Sim, já adormeci profundamente no metro, ao ponto de deixar passar a estação. Fui niponizada...
E sempre que acordei, sentia-me estranha, exactamente por ter perdido o controlo da situação, ter passado tempo sem eu dar por ele. Será que ressonei? Abri a boca? Incomodei o vizinho?
Tenho de me conformar: dentro das regras implícitas da sociedade japonesa, seja qual tenha sido o meu momento de Morfeu, nada disto tem importância...
Em jeito de nota final, e abertura a um post em preparação:
a vida de comboio é característica de um traço fundamental da sociedade japonesa:
as contradições.
E agora uma imagem perfeitamente única...
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Ando lab
http://ando-lab.ta.chiba-u.jp/ando/index.htm
e para os preguiçosos aqui está a fotografia ...
Explico o termo "ando lab": Nas faculdades de cá misturam os alunos dos vários anos num só " laboratório", dirigido por um professor, no meu caso o "famoso" Masao Ando, e que vai orientando tanto os projectos como as teses dos vários alunos.
Em termos espaciais, um laboratório corresponde a um conjunto de salas: uma de aulas, um escritório - com papeis e dossiers até ao tecto .. nunca vi coisa assim!!- e várias salas para os alunos, onde cada um tem a sua mesa, umas mesas maiores para maquetes, uma cozinha improvisada e um "lounge" também improvisado. Note-se que de noite todos estes espaços se transformam em dormitórios improvisados !! Todos os alunos guardam na faculdade um saco de cama, toalha, roupa extra, escova de dentes... Acho que já tinha explicado uma vez que os alunos cá vivem na faculdade... literalmente.
Descobri no computador uma fotografia que ainda não tinha publicado, não da minha faculdade, mas do campus da Universidade de Tokyo, em Tokyo mesmo. Qualquer parecença com um campo de refugiados é mera ilusão !

bug busters
Chegando ao meu quarto/casa, abro a porta e vejo um papel no chão, que não podia ter sido posto por debaixo da porta, porque estava em cima do degrau, um metro mais à frente.
Noutro país qualquer, o primeiro pensamento seria "Assaltaram-me o quarto e deixaram um papel fora do sítio". Mas sendo o Japão um dos lugares mais seguros onde já estive, o único pensamento foi "olha que estranho, um papel no chão".
Acendo a luz, pego no papel e leio :
それらを使用する前に燻蒸が皿を洗浄した後。
あなた自身によって昆虫の残物を投げなさい
Today we have sprayed the rooms with insecticides.
After the fumigation please wash the dishes before you use them.
Please throw away the remains of insects by yourself."
- O quê ?!? Entraram-me no quarto ???
prova de que o quarto está bem limpo!
vou snifar insecticida a noite toda ?!?
- e a minha roupa ??
- e os saquinhos de chá que
não estavam hermeticamente fechados ?
vou passar a tomar chá de insecticida ?!?
Está decido e executado: loiça toda lavada, chá para o lixo, e hoje durmo no saco de cama.
O que vale é que metade da roupa estava a secar na varanda... (vou acreditar que não atacaram a varanda, que os bichos não rastejaram para fora para cima da minha roupa... senão dou em louca!!).
Imaginem o meu espanto final quando, depois de me fumigarem o quarto, sem qualquer consideração pelo que cá estaria dentro e sem qualquer pré-aviso, a única prova da presença de pessoas no meu quarto, para além do famoso papel no chão, e como prova de que estou no país tecnológico, a única prevenção tomada pelos meus "bug-busters" foi ... um plástico gigante por cima do computador !!
eu não como nem respiro computadores !!!!
Falha momentânea
( e porventura mais algum leitor que tenha descoberto este blogue...)
Não imaginam o contente que fico por saber que andam a seguir o blogue atentamente e que, se por acaso me ausento durante mais algum tempo, tenho mails a pedir mais notícias!
Escrever no blogue dá-me imenso gozo e é uma forma de manter algum registo desta aventura. Mas saber que é acompanhado dá-lhe todo outro sentido...OBRIGADA !!
E facto é que na passada semana não lhe dediquei tempo nenhum. Não por falta de histórias por contar (como verão) mas falta de tempo. Posso estar a viver no futuro (nos vários sentidos da palavra !) mas o tempo aqui não estica. Até parece mais curto.
Entre o estágio (e as suas longas horas), as aulas (com uma entrega à vista), e as minhas 2.30 horas de comboio diárias... sobra pouco tempo para aqui escrever. Confesso também que nesta semana ganhei um pequeno vício... ver "Heroes" por Internet. Não sei se conhecem, se vêem ou não ... mas tem me agarrado todas as noites ao computador, um episódio por dia (sábado de manhã fiz uma pequena maratona de três episódios...).
Antes de fazerem juízos, deixem-me tentar explicar (desculpar ?) o vício: não vejo nem televisão nem um filme no cinema há um mês e meio ... sinto imensa falta de ir ao cinema (cá a maior parte dos filmes são japoneses, os internacionais estreiam tarde e é caro...) e sim, daqueles minutos de couch potatoe sem pensar em nada. Daí que, quando descobri os Heroes... pegou.
Para tentar validar ainda mais um pouco a minha adição, devo dizer que não sou um caso único. Estava no outro dia com um grupo de internacionais e, em 12, 8 estavam também agarrados ao computador para ver esta série... ! É o fenómeno estudante que vive num mini-quarto sem televisão.
Mas agora a adição está cada vez mais controlada e volto a dar mais atenção ao blogue!
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Shinjuku Station. 23.45

"Serving as the main connecting hub for rail traffic between central Tokyo and its western suburbs on inter-city rail, commuter rail and metro lines, the station was used by an average of 3.31 million people per day in 2006, making it the busiest train station in the world in terms of number of passengers. Including an underground arcade, there are well over 200 exits.
In terms of area, Shinjuku is the second-largest station in the world after Nagoya Station."
in Wikipedia
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Tufão
Com encontro marcado de manhã na estação, aparecemos nós, o belga e eu, de chapéu de chuva em punho e um pouco chateados com o tempo, para um dia de visitas.
Ainda tínhamos alguma esperança que o tempo mudasse quando o Nori, um dos Japoneses, nos diz com o ar mais tranquilo do mundo: "oh, don't you know? There's a typhoon passing by".
Imaginem o meu ar de espanto ao saber que um tufão estava por cima da minha cabeça... para nós europeus, onde o clima ainda, apesar de tudo, se controla minimamente, um tufão soa a furacão...
Felizmente para a nossa segurança, aqui um tufão é meramente ..... uma chuva forte com ventos fortes.
Mas infelizmente para a visita, que foi feita de sol a sol com pés ensopados e calças empapadas até aos joelhos.
O nosso estado era tal que, tendo sido convidados para jantar em casa do nosso professor, Masao Ando, ao chegar à estação de casa dele, tivemos de fazer uma paragem estratégica para ... comprar meias!! Pois é, num país onde nos descalçamos em todo o lado, chegar a casa do "mestre" de pé molhado não calhava lá muito bem.
E assim, de meia nova (e no meu caso, de leggings novas... as calças não estavam claramente apresentáveis) entrámos na casa do Professor, para um jantar muito agradável, numa casa de gosto bastante aceitável e toda em madeira - "please don't burn the floor", dizia o Mr. Ando com um sorriso na boca.
Como o Jan (o belga) e eu éramos os convidados de honra, o Mr. Ando preparou um jantar "à europeia" porque sabia que teríamos saudades da nossa comida... couves de Bruxelas para o Jan, ginginha para mim, lombo de borrego e queijo para todos ! Sim, cá queijo é um verdadeiro luxo...se conseguirem enfiar um queijo num envelope, e este passar a alfândega, ganharei o dia !!!
E, segunda surpresa em jeito de conclusão... durante o jantar comecei a ver os japoneses todos contentes a combinarem a sucessão dos eventos depois do jantar, e as possibilidades que teríamos: all-night karaoke, all-night manga shop (livraria de BD japonesa...)... tudo ideias que me pareciam engraçadas, mas sinceramente, ensopada depois de um dia de passeio não sei se tinha força. Perguntei inocentemente: "e voltar para casa não é uma opção porque..." "porque o tufão às vezes estraga as linhas comboio". Ah bom. Assim sendo melhor será ficar por aqui mesmo .... mas, graças a Deus, ligou-se a televisão e as notícias mostravam que o tufão já tinha passado a costa de Chiba. Estávamos safos!


Um dos edifícios que visitámos, a Tama Library de Toyo Ito. No lobby da biblioteca, eu com cara de "tira lá a fotografia" em companhia do assistente, Shoohei (confesso que só me lembro do nome dele se pensar em shoe -sapato- e Hey!)
Tokyo e Maria
O estágio
Antes de mais - isto é, de contar como está a correr - deixem me explicar como sucedeu esta revira volta.
Há algumas semanas atrás conheci um húngaro que, pelo meio da conversa, me conta que estava a trabalhar no Shigeru Ban. Ao ouvir este nome os meus olhos provavelmente rebrilharam e disse "ah que giro, para trabalhar cá seria um dos ateliers que me interessaria".
Dito e feito, passados dois dias (terça feira) tinha um mail do húngaro (apresentando-o: Mathyas) a dizer que já tinha falado com a pessoa responsável dos estágios e que eu deveria enviar para lá o meu currículo e portfolio.
Como nessa altura ainda não tinha o portfolio feito, e depois de falar com o Mathyas, pensei que o melhor seria mandar só o currículo por enquanto, e mais tarde, pensava eu, enviaria o portfolio.
Na quinta feira então, com nervos na barriga, enviei um mail com o currículo e uma pequena apresentação, candidatando-me a um estágio por seis meses, em part-time.
Eis o meu espanto quando, passadas DUAS HORAS tinha entrevista marcada para a segunda feira seguinte, já com o portfolio. Isto é que é eficiência japonesa....
Eficiência essa que tive de aplicar para montar o portfolio ! Para quem já teve a experiência de fazer o portfolio, fazê-lo em 2 dias, com visitas e passeios à mistura, não é propriamente evidente.
Mas de alguma forma (e muito a pontapé) consegui compilar os trabalhos de maneira minimamente apresentável. Confesso que, para ter uma referência, tinha previamente visto os portfolios dos alunos japoneses, que eram mais trabalhados que o meu, certo, mas de grafismo relativamente simples, exemplo que eu fiz questão de seguir...
De portfolio em mão, dentro de um saquinho que fiz de propósito para a ocasião, cheguei ao atelier.
Não imaginam o meu espanto quando, antes mesmo de abrir o portfolio, já se falava em horários de trabalho, como funcionava o atelier, o que aqui fazia ... e tudo isto já com o papel "bemvindo ao atelier" em cima da mesa.
Obviamente que depois de tudo isto, com a maior das confianças apresentei o meu portfolio, independentemente da sua qualidade, seguindo o conselho da minha querida irmã "mostra que és um máximo", mas também não esquecendo o cerimonial e humildade japonesa... que diplomacia!
E assim foi. Ao acabar de apresentar o projecto e de duas perguntas genéricas sobre o meu trabalho, chegou a grande questão:
"when can you start working?"
Não sonham o sorrisão que tive de conter ... Com os olhos a brilharem pelo que não podia sorrir, fui apresentada ao staff...
Como já me tinha sido dito, o trabalho de estagiário é essencialmente fazer maquetes e alguns desenhos. Quem me conhece deve estar neste momento a ter a mesma reacção que tive ao sair da entrevista "acabei de ser contratada para 6 meses de maquetes que não sei fazer !!!!" Para os leigos, e especialmente a minha querida família, as minhas maquetes até podem ser engraçadas, mas quem trabalhou comigo bem sabe como as faço ... hihi
Estando combinado que às terças não trabalho para estudar, na quarta feira apresentei-me então ao serviço. O ambiente bastante relaxado a esta hora, com ainda a maior parte do staff a chegar. Outro estagiário, americano, ofereceu-me logo um café (americano) e dizia "Portugal ... yeahh... how nice...", apesar de horas depois me perguntar factos sobre Portugal, pois não sabia rigorosamente nada sobre este nosso país.
Vou vos poupar a descrição hora a hora da minha estadia no atelier, mas sim dar umas luzes sobre o que lá se passa. Peço desculpa se é informação relevante sobretudo para arquitectos, mas ainda se descobrem uns factos interessantes sobre a cultura japonesa:
- é um atelier surpreendentemente pequeno para o trabalho que tem. É verdade que tem mais um atelier em Paris e outro associado em Nova Iorque (que chatice...) mas para atelier-base, contei uns 12 arquitectos fixos e 6 estagiários. O segredo parece-me ser este : cada Japonês vale por 2 ocidentais !!
Por mais que vida de arquitecto seja difícil, eles aqui ultrapassam tudo. O horário normal é das 10 da manhã à 1 da manhã, senão mais. Chega à hora de jantar e, naturalmente, vão todos - e eu inclusive - buscar o "bentô", refeição pré-cozinhada, sentam-se na sala de reunião e meia hora depois já está tudo outra vez em frente ao computador, como se almoço fosse.
O que vale é que como estagiária, só em caso de aperto maior de trabalho terei de ficar até tão tarde (se bem que até agora houve sempre apertos de trabalho e reuniões marcadas para as 11 da noite...). E tenho ainda um bónus: como vivo longe têm pena de mim e mandam me para casa ... de facto ainda não tinha dito isto, mas demoro hora e meia a lá chegar, mas pelo menos pagam-me os transportes !
- apesar da intensidade do trabalho, o ambiente é bastante simpático, para uma estrangeira: todos os "staff" são obrigados a ter um bom nível de inglês e os estagiários são todos estrangeiros, dos quais se contam até agora : americano, neozelandês, indiano, japonesa/alemã e o famoso húngaro. E para além da língua, tanto staff como estagiários parecem bem dispostos, abertos e divertidos.
- vou mudar a expressão "trabalho de chinês" para "trabalho de japonês", porque não sonham a perfeição do trabalho ... e a paciência. Noutro post - este já vai longo demais ! - conto como é o meu "colega" japonês... mas para ficarem com uma ideia, aqui tudo tem técnica, começando pela maneira de agarrar no x-acto, como se fossem pauzinhos! E de facto funciona... se eu soubesse isto 5 anos atrás ! Mas como pauzinhos não temos, pode-se dizer que eles vão com alguns passos de avanço....
- para quem duvida da validade de um estágio de maquetista /desenhista, digo que neste caso até tenho muita sorte, porque os estagiários ainda podem participar minimamente no processo criativo, porque são nos postos problemas e temos de resolver ... em maquete. Somos também convidados a assistir às reuniões de projecto com o próprio Shigeru Ban, e é engraçado ver como se desenvolve todo o processo: ele à cabeceira, o braço direito do lado direito, o chefe de projecto do lado esquerdo, as associados, e lá bem no fundo da mesa ... eu, a estagiária. hehe Mas ainda assim tomo a liberdade de me levantar ligeiramente e ver os desenhos e apontamentos sobre as maquetes. Isto sim, são aulas.
Resumindo, e concluindo, estes poucos dias anunciam um estágio duro, cheio de trabalho, mas onde certamente hei de aprender bastante, em experiência, em arquitectura, em estaleca e, acima de tudo, em perfeição nas maquetes !!!

Como prova... a porta do atelier
E a carteira do portfolio...! Aos interessados, posso comercializar o modelo !!


quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Maria's day
Pois é notícia de última hora ... vou estagiar para o Shigeru Ban, que para quem não conhece é uma estrela em ascensão na arquitectura mundial, criador de novos sistemas construtivos utilizando materiais atípicos na construção (nada de loucuras ... apenas papel e bambu), e com uma linha que gosto muito.
Ainda para mais, deve ser boa pessoa, pois é fundador da VAN, Volunteer Architects Network, que une arquitectos que se disponibilizam para criar habitações temporárias de emergência em caso de catástrofe natural.
Noutro dia conto mais em pormenor como fui lá parar, mas por enquanto deixo só dois links:
- do atelier: www.shigerubanarchitects.com
- do blog do Pierre, outro AUSMIP que me dedicou um post (porque no dia em que sobe fomos jantar e beber um copo de champagne !): http://narcotokyo.blogspot.com/2007/10/marias-day.html
(merci Pierre pour la coupe de champagne!)
para quem tiver preguiça de lá ir ver, aqui vai a fotografia da champagne:
(apresentando: Eu, Pierre (França), Freya (Belgica), Manuel Tojal (meu grande amigo já de Lisboa) e Nuno (também de Lisboa e lá da faculdade)
Já agora, apresento uns novos links aqui do lado direito: os blogs de outros ausmips, para irem vendo outras fotografias.... muitas vezes bem melhores que as minhas!! A minha mini maquina é óptima para ter no bolso, mas a qualidade ainda tenho de a dominar melhor... (sim, a minha qualidade como fotógrafa não está posta em causa!!! hehe)
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Tour Geriátrico
.. coisas para contar !! Por isso hoje voltei para vos pôr a par. Cá vamos.
Há já uns 10 dias (que cá parecem uma eternidade, não por aborrecimento mas pela quantidade de eventos durante um só dia ... cá não se vivem 24h mas 48...) conheci uma turca, também arquitecta, que cá está há já três anos, e me conto uque no primeiro ano dela tinha descoberto meia Tokyo com um grupo de reformados na Universidade de Tokyo, cujo hobby era passear jovens estudantes estrangeiros, mostrando-lhes partes escondidas de Tokyo.
Obviamente, achei absolutamente imperdíveis tais visitas e perguntei, se não fosse inconveniente, se me podia dizer onde encontrar esse grupo maravilha. Dito e feito, passados dois dias ela manda-me um email a dizer que já tinha dado o meu nome ao organizador - chefe, e que em breve receberia um contacto deles. No mesmo dia recebo efectivamente o seguinte mail:
como poderia negar tal convite ?? "most beautiful garden in Tokyo ? " "town where old Tokyo remains"... Vamos a isso !!
E no sábado, às 13h em ponto lá estava eu debaixo da cerejeira à porta de estação de metro - acho que um encontro destes só podia ser marcado por um Japonês... - onde encontro um verdadeiro clube geriátrico, divididos em 4 grupos, cada um com a sua bandeirinha prateada a indicar o número do grupo. De repente revi os bandos de turistas Japoneses a passearem-se em Paris (e agora já mais comum, Lisboa), sempre com a famosa bandeira ou algum objecto comprido.
Quando todos os "jovens estudantes " tinham chegado e sido devidamente colocados no seu grupo, seguimos para a visita da "old Tokyo". O que entendiam por isto ? Uma antiga rua mercante, com algumas lojas novas e outras velhas - desculpem me a descrição, mas foi assim mesmo que um dos senhores me descrevia a rua, loja a loja "here a new shop. here an old shop. here a new shop . here an old shop..." and so on and so on. E no final da rua, como se para se purificarem de tanto consumismo, um templo.
O templo (templo refere-se sempre a templo budista, enquanto "shrine" - altar ? - se refere ao xintoísmo) era, segundo um dos meus guias, muito popular nas pessoas mais velhas, pois era dedicado a KOGANJI, e aqui se rezava para "togemuki" o que significa "tirar as maleitas" e também especialmente tirar as maleitas da família. Percebem agora porquê o ser muito querido pela velhada nipónica ... pelos vistos têm as mesmas preocupações que a nossa !!
Neste templo lá fui encaminhada para as fontes de água, para me purificar também, lavando as mãos e bebendo um gole, e para uma espécie de cinzeiro gigante de incenso, cujo fumo também nos purifica.
Após todo este ritual, e sempre com os meus guias a indicar passo a passo como pôr as mãos e o que fazer ou pensar, só faltava mesmo deitar a moeda em frente à égide... mas não era bem deitar, mas sim atirar para um receptor enorme. Quem me conhece perceberá quando disser que fiquei contente por ter acertado e não ter feito um estardalhasso no templo! Quanto às orações, espero que dêm resultado e que a minha querida família se encontre bem disposta... se não foram por intermediário de Koganji, com certeza o nosso Deus as terá ouvido.
Entretanto, deu para ir conhecendo estes personagens que se entretinham a passear e conversar conosco. Eram senhores reformados, nos seus 70, que se tinham formado na Universidade de Tokyo e seguindo, regra geral, uma boa carreira, desde doutorados em virologia a chefes de mega empresas, passando por representantes da ONU. Daí que todos falassem inglês e estivessem interessadíssimos em conversar e explicar como era o Japão e perguntar, em retorno, como era Portugal - todos conheciam obviamente o vinho do Porto e Pão de Ló, que cá também existe e se chama Castela.. houve algum equívoco na história deles pois foram chamar de Castela a algo que era nosso...!
Depois de sermos alimentados com doçarias e coisas estranhas locais ("so, like it?" "oishi desu" respondia eu no meu melhor Japonês... ao qual eles se riam perdidamente. Eu bem tento ....), seguimos para a fase dois do passeio, o famoso jardim mais bonito de Tokyo, o Rikugien.
E se era ! Perfeitamente cuidado, desenhado, com plantas escolhidas a dedo e as primeiras folhas a mudar de cor para um encarnado forte.
Que paz se vive ali, mesmo com mais visitantes - só Japoneses, que ali vêm respirar um pouco - realmente serve como escape à cidade. Saindo de lá sentimo-nos com mais energia e mais felizes (ainda!), tanto pela dose de O2 que recebemos, como pelo paisagismo em si.
Á entrada do jardim, um dos senhores, Kozumi Koike, decidiu que seria meu guia pessoal e, se eu não me importasse, me acompanharia durante a visita. Com certeza, respondo eu, e fui sendo orientado aos gostos e filosofias japonesas... a folha que cai, as árvores que dão energia positiva, as que enervam... fantástico!! Pelo caminho ia pegando no meu caderninho e escrevia-me os nomes das coisas em Japonês, e se necessário com um pequeno desenho ao lado. É impressionante a capacidade de expressão através do desenho que, regra geral, os japoneses têm, provavelmente pelo carácter pictográfico da escrita...
Dentro de um mês mais uma visita me espera ... até lá ficam com as fotografias !


E agora deleitem-se com o jardim...




Não podia deixar de apresentar o meu guia, Kazumi Koike:
