quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Projecto e aula de cultura

Voltei !!

Como tinha dito anteriormente, a minha ausência deveu-se a uma entrega de projecto. Felizmente já está feita, e cá estou de volta, para contar como tudo se passou ... cá vamos.

 

  1. APRESENTAÇÃO

 

A apresentação era a do famoso projecto de Delirious Suburb ... o tal que não me apetecia muito fazer, que continuou a não me apetecer muito fazer mas que ... até correu muitíssimo bem, bem melhor do que eu estava à espera !

As apresentações seguiram a regra habitual tanto das aulas como de qualquer tentativa de comunicação com Japoneses : em Japonês.

Obviamente apenas percebi dos projectos dos Japoneses o que mostravam em imagem e, para ser justa, mais algumas palavras que um simpático colega nos ia traduzindo...

Chegando à minha apresentação (e à do Jan, o famoso belga), pediram-nos para falar devagar, claro. E, para quem me conhece, bem ficaram admirados por saber que ... nunca falei tão devagar na minha vida ! hehe

Mas ainda bem, porque tornou a apresentação e o projecto bem mais inteligíveis, sobretudo para esta audiência.

Quanto aos comentários, esses foram-me dirigidos a toda a velocidade e, sem meias medidas ... em japonês. Nos primeiros tempos só conseguia decifrar as seguintes palavras: conceptô, kenchiku, sugoi, que significam: conceito, arquitectura, e “great”, e que repetidamente iam sendo proferidas. (podem sentir o meu ego a crescer...)

Enquanto o júri falava e gesticulava em frente ao meu projecto, eu lá ia sorrindo com um ar meio aflito de “certo, percebo que deve estar a correr bem mas .... alguém se importa de traduzir ?!”, enquanto suplicava o Professor Ando com o olhar, para que me salvasse dessa situação. 

Finalmente o efusivo membro do Júri - que pouco fala inglês mas que tantos “sugoi” dizia - calou-se, deixando espaço para que os professores, que falavam inglês, se manifestassem e confirmassem que as críticas gerais tinham sido positivas (poupo-vos os pormenores...), tanto para mim como para o Jan, e ainda recebemos umas palmadas nas cotas com um niponérimo sotaque “gud jobu” (para quem não tenha percebido: good job...).

 

  1. O FESTEJO OU “A AULA DE CULTURA”

 

A seguir à apresentação, por alguma razão que não percebi acabámos por ficar só o belga, eu e o Professor Ando (que nunca diz não a um festejo e a uma bebida... é de facto fascinante, este senhor, sem ser um típico alcoólico, tem sempre como critério de escolha de restaurantes se é possível beber uma cerveja ou não e quando temos algum evento, esse evento terminarã sempre com uma “drinking party”...).

Neste panorama, fomos os três para um dos antigos bairros de Tokyo, Asakusa, para um pequeno festejo...

Passámos as avenidas principais para entrar nas “backstreets” de Tokyo, que são absolutamente fascinantes por parecer que de repente, depois dos edifícios enormes, largas avenidas e néons e luzes publicitárias, entramos noutro mundo.

De facto, nestas ruas secundárias, entramos numa escala radicalmente diferente, com ruas sinuosas e casas pequenas, lanternins tradicionais à porta dos restaurantes, portas deslizantes em papel, restaurantes e bares locais que fogem às mil cadeias de se vêm proliferar por Tokyo.

Neste cenário, entrámos na isakaya (tasca) mais cheia (bom indicador) e lá nos sentámos no tatami, ou seja de meias e de perna cruzada com o rabo no chão. Ah pois. Não me perguntem como é que conseguem ficar horas assim a divertirem se... eu vou me habituando, mas parte da diversão que tenho neste tipo de sítios é canalizada para esquecer as dores com que fico nas costas e nas pernas dormentes !!!

 

E do que consiste a “drinking party japanese style” ? De sake, muito sake (para mim quente de preferência ... tenho a dizer que é óptimo!) e muita comida a acompanhar. Mas como qualquer refeição japonesa, não são pratos consistentes, mas uma sucessão de pequenos aperitivos e sushi ou sashimi.

Sabendo que para o Ando estas festas são para o Jan e para mim “aulas de cultura”, tivemos direito ao “nível intermédio” que consistia em aperitivos um pouco ais bizarros que o habitual, como por exemplo pele de peixe balão e konyaku (gelatina de batata)... que eram ambos bastante bons.

Depois de umas valentes 2 horas sentados nos chão em animada cavaqueira e conversas sobre cultura japonesa, fomos literalmente expulsos da tasca que estava a fechar. Não contente com este facto, ao caminharmos para a estação para voltar para casa, o Ando decidiu que ainda tínhamos tempo para mais uma cerveja, olha para o lado, vê um pequeno bar e diz, “is this good enough for you? it’s good enough for me”.

E o que era ? Um tipo de bar que ainda se vê bastante nestas ditas ruas secundárias: São micro bares, onde apenas cabem 2 a 4 pessoas, criados pelos donos há 30 anos atrás para servir eternamente os mesmos 2 a 4 clientes. Imaginem a cara da dona e dos 2 clientes habituais quando lhe entram pelo estabelecimento a dentro 3 estranhos, 2 dos quais estrangeiros...

Enfim, este fim de noite complementou, e de que maneira, esta nossa aula de cultura: tanto pela descoberta do micro bar, pelas conversas com os dois clientes que já lá estavam mas, acima de tudo - e  sabendo que qualquer bar japonês que se preze tem o seu próprio sistema de karaoke - pela demonstração de cantoria pela dona do bar e de um dos clientes, que depois nos incentivaram a cantar também... que festa !

 

O Ando que jurava a pés juntos que não cantava em karaokes não resistiu a pegar no microfone. Deve lhes correr no sangue...




o pequeno bar
a dona


o Jan e o Ando em grandes cantorias !

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