quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

The sushi train (sushi densha wa des)

Coisa rara, hoje saí do atelier às 7.30pm para jantar, e sem intenções de voltar a trabalhar a seguir a jantar ... (Sim, porque o horário habitual é das 10am às 9/10/11pm...) Logo, com outro estagiário de seu nome Kamal, indiano, decidimos ir jantar sushi a ShimoKitazawa, que é um sítio perto do atelier e novo local "trendy", com cafés com música ao vivo, bares, lojas, restaurantes e mais restaurantes, etc etc

Jantar simpático mas que, sem qualquer ponta de sake, deu na realização deste pequeno filme.
É totalmente sem nexo, provavelmente não perceberão, mas tem algo de profundamente japonês exactamente pelo desnexo, por ser de aguma forma "cute" (querido) e porque a voz off (eu mesma) diz uma frase que qualquer tokyoita ouve: "san ban sen ni, ochui kudasai" (ou seja algo como "cais - de comboio- número 3, atenção por favor")... e também porque todos os empregados do restaurante riam-se bastante e até ajudaram à produção.

Enjoy (e não se preocupem com a minha saúde mental...!)


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Daft Punk

Para festejar mais uma vez o fim do projecto, fui domingo ao concerto de Daft Punk (para quem não conhece ... visite http://pt.wikipedia.org/wiki/Daft_Punk ).

 

E QUE CONCERTASSO!!! Absolutamente fantástico, tanto em termos de música (que obviamente gosto muitíssimo), como de espectáculo de luzes. Se num futuro próximo os poderem ver, mesmo que não gostem de música electrónica, ponham uns valentes tampões nos ouvidos e vão, só para ver as luzes ...

 

Mas para além da qualidade do concerto, foi também extraordinário assistir a um concerto destes aqui.

De facto, nunca tinha viso japoneses loucos. Corrijo: loucos são muitos (hehe) mas  nunca tinha vistos Japoneses em manifestação tão efusiva de delírio.

Nos nossos concertos, muitos estão a assistir tranquilamente de mão nos bolsos, outros abanam um pouco mais e outros, mas menos estão histéricos. Aqui, TODOS estavam histéricos. E percebe-se, não só o concerto foi excelente, mas a actuação dos Daft Punk tem tudo a ver com o Japão contemporâneo: vêm mascarados com uns fatos e capacetes (remetendo ao imaginário bizarro que hoje se vive no Japão ... noutra altura vos falarei mais sobre isto), com um cenário incrível onde as mudanças de luzes geravam reacções no público quase tão fortes quando começava uma música mais conhecida. Com tantas luzes que esta cidade tem, poder-se ia pensar que neste concerto não teriam tanto impacto nos Japoneses, mas antes pelo contrário...

 

Diria que seria um mundo totalmente diferente se não fosse um pequeno pormenor ... quando começavam as músicas mais conhecidas (com especial ênfase no “One more time”), como bons Japoneses que são, quando é para saltar, todos (e digo todos) saltam ao mesmo tempo.

Imaginem uma sala ligeiramente maior que o pavilhão Atlântico em que tudo salta ao mesmo tempo ... acho que desviámos ligeiramente o eixo da terra....


Tanto falo em luzes que o melhor mesmo é verem as fotografias e os vídeos... se bem que pouco reflectem o valor do concerto!!

Atenção com o som dos vídeos... recomendo que ponham muito baixinho porque filmei com o telemóvel destorceu parte do som...

E vejam o terceiro filme até ao fim, para assistirem a uma pequena demonstração de loucura!











Projecto e aula de cultura

Voltei !!

Como tinha dito anteriormente, a minha ausência deveu-se a uma entrega de projecto. Felizmente já está feita, e cá estou de volta, para contar como tudo se passou ... cá vamos.

 

  1. APRESENTAÇÃO

 

A apresentação era a do famoso projecto de Delirious Suburb ... o tal que não me apetecia muito fazer, que continuou a não me apetecer muito fazer mas que ... até correu muitíssimo bem, bem melhor do que eu estava à espera !

As apresentações seguiram a regra habitual tanto das aulas como de qualquer tentativa de comunicação com Japoneses : em Japonês.

Obviamente apenas percebi dos projectos dos Japoneses o que mostravam em imagem e, para ser justa, mais algumas palavras que um simpático colega nos ia traduzindo...

Chegando à minha apresentação (e à do Jan, o famoso belga), pediram-nos para falar devagar, claro. E, para quem me conhece, bem ficaram admirados por saber que ... nunca falei tão devagar na minha vida ! hehe

Mas ainda bem, porque tornou a apresentação e o projecto bem mais inteligíveis, sobretudo para esta audiência.

Quanto aos comentários, esses foram-me dirigidos a toda a velocidade e, sem meias medidas ... em japonês. Nos primeiros tempos só conseguia decifrar as seguintes palavras: conceptô, kenchiku, sugoi, que significam: conceito, arquitectura, e “great”, e que repetidamente iam sendo proferidas. (podem sentir o meu ego a crescer...)

Enquanto o júri falava e gesticulava em frente ao meu projecto, eu lá ia sorrindo com um ar meio aflito de “certo, percebo que deve estar a correr bem mas .... alguém se importa de traduzir ?!”, enquanto suplicava o Professor Ando com o olhar, para que me salvasse dessa situação. 

Finalmente o efusivo membro do Júri - que pouco fala inglês mas que tantos “sugoi” dizia - calou-se, deixando espaço para que os professores, que falavam inglês, se manifestassem e confirmassem que as críticas gerais tinham sido positivas (poupo-vos os pormenores...), tanto para mim como para o Jan, e ainda recebemos umas palmadas nas cotas com um niponérimo sotaque “gud jobu” (para quem não tenha percebido: good job...).

 

  1. O FESTEJO OU “A AULA DE CULTURA”

 

A seguir à apresentação, por alguma razão que não percebi acabámos por ficar só o belga, eu e o Professor Ando (que nunca diz não a um festejo e a uma bebida... é de facto fascinante, este senhor, sem ser um típico alcoólico, tem sempre como critério de escolha de restaurantes se é possível beber uma cerveja ou não e quando temos algum evento, esse evento terminarã sempre com uma “drinking party”...).

Neste panorama, fomos os três para um dos antigos bairros de Tokyo, Asakusa, para um pequeno festejo...

Passámos as avenidas principais para entrar nas “backstreets” de Tokyo, que são absolutamente fascinantes por parecer que de repente, depois dos edifícios enormes, largas avenidas e néons e luzes publicitárias, entramos noutro mundo.

De facto, nestas ruas secundárias, entramos numa escala radicalmente diferente, com ruas sinuosas e casas pequenas, lanternins tradicionais à porta dos restaurantes, portas deslizantes em papel, restaurantes e bares locais que fogem às mil cadeias de se vêm proliferar por Tokyo.

Neste cenário, entrámos na isakaya (tasca) mais cheia (bom indicador) e lá nos sentámos no tatami, ou seja de meias e de perna cruzada com o rabo no chão. Ah pois. Não me perguntem como é que conseguem ficar horas assim a divertirem se... eu vou me habituando, mas parte da diversão que tenho neste tipo de sítios é canalizada para esquecer as dores com que fico nas costas e nas pernas dormentes !!!

 

E do que consiste a “drinking party japanese style” ? De sake, muito sake (para mim quente de preferência ... tenho a dizer que é óptimo!) e muita comida a acompanhar. Mas como qualquer refeição japonesa, não são pratos consistentes, mas uma sucessão de pequenos aperitivos e sushi ou sashimi.

Sabendo que para o Ando estas festas são para o Jan e para mim “aulas de cultura”, tivemos direito ao “nível intermédio” que consistia em aperitivos um pouco ais bizarros que o habitual, como por exemplo pele de peixe balão e konyaku (gelatina de batata)... que eram ambos bastante bons.

Depois de umas valentes 2 horas sentados nos chão em animada cavaqueira e conversas sobre cultura japonesa, fomos literalmente expulsos da tasca que estava a fechar. Não contente com este facto, ao caminharmos para a estação para voltar para casa, o Ando decidiu que ainda tínhamos tempo para mais uma cerveja, olha para o lado, vê um pequeno bar e diz, “is this good enough for you? it’s good enough for me”.

E o que era ? Um tipo de bar que ainda se vê bastante nestas ditas ruas secundárias: São micro bares, onde apenas cabem 2 a 4 pessoas, criados pelos donos há 30 anos atrás para servir eternamente os mesmos 2 a 4 clientes. Imaginem a cara da dona e dos 2 clientes habituais quando lhe entram pelo estabelecimento a dentro 3 estranhos, 2 dos quais estrangeiros...

Enfim, este fim de noite complementou, e de que maneira, esta nossa aula de cultura: tanto pela descoberta do micro bar, pelas conversas com os dois clientes que já lá estavam mas, acima de tudo - e  sabendo que qualquer bar japonês que se preze tem o seu próprio sistema de karaoke - pela demonstração de cantoria pela dona do bar e de um dos clientes, que depois nos incentivaram a cantar também... que festa !

 

O Ando que jurava a pés juntos que não cantava em karaokes não resistiu a pegar no microfone. Deve lhes correr no sangue...




o pequeno bar
a dona


o Jan e o Ando em grandes cantorias !

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

RETIRO DE TRABALHO

Caros amigos, família e leitores perdidos,

Tenho muita pena em informar que só para a semana posso actualizar este meu relato nipónico, pois no Sábado passado tive uma apresentação, e no próximo Sábado tenho outra (desta vez mais a sério, apresentação final de projecto) e esta está, obviamente, atrasada.

Não se preocupem que vou anotando as histórias para contar e,  mal me despache deste exame, vá ao concerto de Daft Punk no Domingo aqui na minha terriola (sabe se lá porquê vêm tocar aqui...), e ainda durma umas horas valentes, sim, depois disto tudo, retomo o meu lugar em frente ao ecrã para, novamente, vos trazer um pouco a este (meu) novo mundo.

Até lá, 

Otsukade samades!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Monte Fuji ao pôr do sol



Em dias claros, vê-se o Monte Fuji desde Tokyo.
Neste caso, desde o último andar do atelier.

Tokyo bucólico

Kanji

Só mais um acontecimento da festa... 

Em Japonês, como devem saber, existem vários alfabetos. 
O hiragana, que funciona por sílabas e cada sílaba tem um caractere (ka, ki, ku, ke, ko, ma, mi, mu, me, mo etc...) e usado para palavras de origem Japonesa, o katakana, que funciona também por sílabas, mas usado para palavras de origem estrangeira e, finalmente, o Kanji, de origem chinesa, e que são os símbolos que toda a gente já viu, e onde cada caractere representa um conceito.
Naturalmente, logo no primeiro dia me escrveram o nome em katakana, mas atenção: em Japonês não existe o som "L" nem consoantes no final das palavras (com excepção do "n"). Estava bem tramada com o meu CudeLL ... duas vezes uma letra que não existe! 

E agora podem-se rir, eu cá sou a Maria Cuderu.

E como em Japonês ainda se acrescenta um "san" no fim dos nomes, passei a Maria-San ou mesmo Cuderu-San. (querida famelga, gosto muito de vocês, mas fui rebaptizada...!) 


O que eu não sabia, é que para os nomes também é possível traduzir foneticamente, mas utilizando os Kanji (os símbolos), e associar ao som do nome um conceito que tenha o mesmo som. Obviamente, podem-se encontrar várias associações som/conceito, e o jogo está em encontrar a que mais se gosta. E foi um jogo que fizemos na dita Ando-Lab Party, com vários participantes à procura de possibilidades para o meu nome. 

Soube aí também que o meu nome não é absolutamente desconhecido, tanto pelas suas ligações cristãs, mas também porque existe em Japonês o nome "Marié". 
Pensei então que se já existe o meu nome, já existirá traduzido... (oh, não vou ter jogo... pensei eu). 
Mas afinal mão, cada pessoa é livre de encontrar a sua própria tradução. De tal maneira que a forma de escrever os nomes pode ir evoluindo, conforme modas...

No meu caso então, após várias hipóteses, desde "o tecido da aldeia da Ásia", ou "o tecido que arranha da Ásia" (ai ai...),  o aluno atento de que falo no post "ando lab party", finalmente arranjou uma solução bastante mais interessante, e aprovada pelo Professor Ando:


Ma: reality   ..  Ri: Truth ..    A: A(sia) 
o SIA vem entre parentesis porque é só a primeira parte do Kanji de Asia

O que dá ... 



Reality + Truth =  Knowledge of Asia

Mas o Mr. Ando corrigiu Knowledge para Sophia. 

Em suma, o meu nome cá é mesmo:


The Sophia of Asia

(!!!)


Ando Lab Party

Vou recordando eventos à medida que tenho tempo, claro, mas também à medida que me apetece falar neles... como para os deixar amadurecer um pouco talvez, ou poder acrescentar algumas considerações, ou juntar num só relato vários episódios.

Agora com o meu novo melhor amigo (o Mac), que às vezes vem comigo para o atelier, torna-se bastante mais fácil ir escrevendo durante o meu tempo de commuter... a minha leitura é que, coitada, vai levar uma valente talhadela...

O evento que agora vos apresento passou-se na semana passada, sexta-feira. Por coincidência, ou por fruto da minha vida tripartida Tokyoita (Chiba, Tokyo, Atelier), numa mesma noite tinha três eventos: festa no atelier, para a despedida de um que acabou de ser colocado no atelier Ban de Paris ; festa de chegada a Tokyo dos Ausmips de Fukuoka (cidade noutra ilha mais a Sul), nomeadamente do Sebastien, meu outro grande amigo que veio também da faculdade de Lisboa e finalmente, uma Ando-lab Party, em honra dos anos do professor Ando, de mais dois alunos e  de mais outros quantos acontecimentos que agruparam na mesma festa.

Regra de honra posta em prática neste caso, a do maior respeito, e para Chiba me dirigi.

A festa, marcada para as 5 da tarde, na faculdade, constava de um jantar, feito ali mesmo pelos alunos – já referi em tempos que uma das salas tem uma cozinha improvisada -, com os alunos do laboratório, o famoso professor Ando e dois aliens, o belga e eu.

Continuo a referir-me a nós como aliens porque apesar de sermos já bastante amigos de alguns alunos japoneses, dentro do contexto geral do departamento de arquitectura, somos um fenómeno. Não pensem que é falta de humildade o que aqui escrevo, mas às vezes é assim mesmo que o sinto... fenómeno não por feitos realizados, mas simplesmente por sermos uma espécie de atracção.

De facto, por várias vezes já me foram apresentadas pessoas com o seguinte comentário: “they will come sometimes to talk to you”. Certo...

Tenho vindo a perceber que isto tem dois motivos: o primeiro, o facto de sermos europeus e trazermos todo um leque de conhecimentos diferentes, sobre os quais os japoneses estão genuinamente interessados. Segundo, somos um óptimo meio para eles treinarem o Inglês.

Na festa quase que vinham falar connosco à vez. Fiquei deliciada... não só é uma demonstração perfeita de acolhimento, como uma diversão pegada, para nós e para eles.

 Ao lado do Jan, à direita, o Junichi, que esteve em Lisboa, e ao meu lado, o famoso Mr. Ando, na festa

Confesso que é uma massagem ao ego extraordinária contar coisas várias, sobre Portugal, Europa... e ter pessoas a ouvir que realmente estão a ouvir e a absorver.

Exemplo: começámos a falar em torres, um dos alunos japoneses que tinha estado em Lisboa falou na Torre de Belém, em jeito de brincadeira, pelo tamanho comparado com os arranha-céus...

Eis se não quando dou por mim a dar uma pequena aula sobre Lisboa, Belém, a Torre, os Jerónimos ... apenas a tentar dar algumas luzes sobre o nosso papel nos descobrimentos e o sentido que tinham para Portugal.

Já estava contente por ter uma audiência tão atenta quando, vejo a cereja sobre o bolo: um dos alunos (de arquitectura, e momentaneamente meu aluno também...) estava a tirar apontamentos !!!

Que maravilha...

 

O quadro e o aluno atento .... 

Outra característica destes meus hóspedes é serem altamente fofoqueiros, de tal forma que qualquer informação é rapidamente circulada pelos restantes.

Um dos episódios que já me ocorreu foi de ter uma vez perguntado a um deles se conhecia um grupo chamado “yura yura teikoku”, que tinha ouvido na Fnac cá do sítio e tinha-me parecido bom. Na festa, tenho de repente um grupo de semi góticos com um ar um tanto duvidoso, a virem ter comigo com um ar feliz e dizer

“You like Yura yura teikoku? We are yura yura teikoku fans!”

Imaginem o meu espanto ... que ando eu a ouvir ?!! E que andam eles por aí a contar...!

 

De resto, a festa constou de (muito) álcool, muita comida (constantemente a servirem-me mais...) e muita diversão, que culminou com a saída nocturna... para o karaoke!

 

Não sei se sabem, mas o karaoke nasceu no Japão, e é o divertimento predilecto dos Japoneses. Em qualquer terriola, rua ou avenida existe um karaoke. Em Tokyo então vêem-se prédios atrás de prédios SÓ para karaoke. Melhor : já me constou numa das minhas aulas que há companhias imobiliárias a desenvolverem projectos onde, da mesma maneira que para nós um “extra” nos novos condomínios são os ginásios, para eles é ... uma sala de karaoke.

E do que consta? Várias salinhas, com capacidade para 2 a 12 pessoas (acho que há umas maiores mas ainda não as vi), com um ecrã gigante, 2 micros, e acessórios musicais – tipo marracas.

E os Japoneses são tão loucos por isto que nesta saída, em que deveríamos ser uma dezena, comecei a estranhar ao fim de um tempo por sermos só 5 dentro da sala. Quando perguntei onde estavam os restantes obtive a seguinte resposta:

“estão na sala do lado ... 10 numa só sala canta-se pouco”.

Ah bom... visto assim, têm toda a razão! E começo a achar que as salas maiores são só para estrangeiros... como nós.

 

Quem me conhece sabe bem que canto tão bem quanto ... uma cana rachada. Mas sim, cantei que me fartei!

Não se preocupem, não rompi os tímpanos a ninguém... estas máquinas de Karaoke são inteligentes: não só costumam estar com um volume altíssimo, de maneira que ouve-se mais o instrumental que a própria voz, como transformam a nossa voz! Dão lhe assim um certo eco, com um ar mais místico... hehe

 

E o que se canta ? TUDO. Até Madredeus lá encontrei... no meu caso opto pelas clássicas dos anos 80, que serão sempre mais fáceis! Os Japoneses escolhem, claro, músicas japonesas (têm um repertório vastíssimo!) mas também se aventuram a músicas em inglês, que obviamente dá direito a um espectáculo inédito.

Palavras inventadas, atitude rock star nipónico-ocidental... um must!

 

  Performance multi-cultural


E agora confesso... todos estes meus conhecimentos derivam do facto de já ter ido outra vez ao Karaoke, desta vez com mais internacionais... e aqui têm a prova do meu desempenho! 

(eu, Nuno -Portugal -  e Freya - Belgica )

sábado, 17 de novembro de 2007

A maquete sem fim

Primeiro relato da  minha vida de estagiária. 

No primeiro dia de trabalho fui colocada na equipa de um concurso para um projecto para uma universidade, Keio. E esta não é uma universidade qualquer, é sim a universidade onde o meu boss ensina. Escusado dizer que a pressão era grande...

Para mim a pressão era outra. Não tanto o ganhar o concurso – isso é lá com eles – mas por ser a primeira vez que me deparo com um desafio tão tremendo quanto ... fazer uma maquete perfeita !!

Como disse noutro post, o meu talento de maquetista é um tanto duvidoso... a minha lógica é a das maquetes de estudo, para se ESTUDAR o que se pretende fazer, logo uma maquete deve ser transformável, remodelável, cortável, recolável etc etc. Para quem não faz maquetes, o resultado destas maquetes acaba por ser, em geral e especialmente no meu caso, algo bastante tosco, mas que cumpre o seu objectivo.

Agora nos ateliers Japoneses, a situação é bem diferente. Qualquer maquete, seja de estudo, final, de apresentação ao cliente ou final, tem de ser absolutamente PERFEITA. Não há marcas de cola, o cartão está sempre imaculadamente branco (o segredo da limpeza e da cola está num spray que não existe/não usamos em Portugal, e que limpa tudo. Até as marcas de tinta e cola na roupa), as paredes têm a espessura certa (não há simplificações: juntam-se os diferentes tipos de cartão que forem necessários, mas a maquete será igual ao real. IGUAL.), tal como nas lajes e, supra-sumo do pormenor, quando se juntam vários materiais para criar uma dada espessura, cola-se um papel à volta para não se verem as várias camadas.

Ah, já me esquecia do pormenor diabólico... à escala 1.200, todas as maquetes têm mobília. Imaginem uma mesa e cadeiras com 4 milímetros de altura... Graças a Deus ainda não tive de fazer mobília, senão aí é que ficava mesmo de olhos em bico!!

E das maquetes a 1.50 nem se falam ... levam televisões, materiais, quadros nas paredes, maçanetas nas portas ... uma arquitectura dos pequeninos !!

Sei bem que não sou uma autoridade para poder criticar, mas parece-me razoável dizer que são LOUCOS. E nem falo da eficiência/vantagem das maquetes com tanto pormenor, isto já é outro debate, com o qual não vos vou chatear agora.

Neste contexto, não admira então que estas maquetes sejam intermináveis.

Voltando um pouco ao tal Projecto para concurso.

Tivemos de fazer umas maquetes de estudo, mas a grande questão é que rapidamente passámos para a maquete final, independentemente de saber se se passava a primeira fase do concurso, porque os prazos de entrega entre fases eram muito curtos.

Logo, mais vale prevenir a atacar já os documentos (maquete) da fase seguinte – sabendo que na primeira fase a maquete não seria usada.

Nisto, após duas semanas desta minha primeira prova de esforço, onde tive de aprender a dominar novas máquinas e tudo, já estava a começar a ver algumas melhorias na minha qualidade de maquetista e ficar finalmente satisfeita com o que fazia.

A data da revelação dos resultados do concurso aproximava-se (quarta-feira), tal como a data da entrega da segunda fase (sexta-feira)... e consequentemente o stress também crescia, alguns dos “staff” começavam a fazer noitadas (noitadas são até às 5/6 da manhã, já que o horário normal é até à meia-noite...).

No auge da pressão, quarta-feira, sabe-se o resultado... não passámos. Ups... Melão.

 

Staff desiludido, Ban aparentemente a não mostrar grande emoção e estagiários frustrados por estarem a trabalhar para nada... no meu caso foi um sentimento misto de trabalho em vão versus ter de me matar mais dois dias caso tivéssemos passado... acrescentando o facto de agora não ter problema de consciência absolutamente nenhum por ter algumas partes da maquete menos nipónicas e bem mais toscas ! 

O que disse ao staff com quem mais trabalhava (que me pedia desculpa a mim por não termos passado... estranho...) foi que, on the bright side, foi o meu tempo de treino! Nada se perde, tudo se ganha...

Sobretudo para mim, obviamente não só em termos de talento de maquetista, mas sobretudo por perceber o sistema das grandes competições, o tempo investido, a preparação da apresentação... e como gerir a desfeita: atacar o próximo projecto.

Na meia hora a seguir à notícia metade dos estagiários já estavam a ajudar noutro projecto com entrega iminente, e eu recolocada para rematar mais uma entrega de concurso, mas desta vez com trabalho a computador (uff... sinceramente acho que estava a ficar com o dedo indicador mais musculado de fazer força no x-acto).

A partir da próxima semana tenho a sorte de trabalhar num projecto (já adjudicado) desde o desenho inicial...

 

Ah, a famosa maquete, essa, ficou duplamente sem fim!





 

Na sala de maquetes, com ar de fim de festa, e a famosa maquete ainda aos pedaços




Uma sala de aulas...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Um extra ao post anterior


Em directo da Yamanote-sen








no segundo video passem à frente as minhas caretas...  
ponham o volume alto e ouçam a Miss JR