segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ao preço da fruta



Aqui percebi o valor de, em tempos, se oferecerem cestos de fruta ... o cesto de cima custa a modica quantia de 120euros...
E sim, cá a fruta é muito cara. Mas hoje estou contente, descobri uma pequena loja aqui em Chiba com fruta e verduras a preços normais ! Comprei tanta que nem coube no meu mini frigorífico ....

Rugby

A maior concentração de europeus em Tokyo das 4 às 6 da manhã, já de dia: a meia-final do campeonato de Rugby, França-Inglaterra!






(a minha fotografia está terrível mas já recebi comentários em como eu nunca aparecia ... ora cá estou eu com cara de bip às 6 da manhã, no fim do jogo, depois de ter estado o dia todo a passear !!!)

Yokohama

Este sábado fui passear a Yokohama, que fica a sul de Tokyo. É uma cidade parecida com outros subúrbios de Tokyo, mas mais agradável, e com um centro tão grande que parece Tokyo em si mesmo. Outra vantagem: está à beira mar - ou melhor à beira de uma enorme baía industrial. mas ainda assim foi fantástico sentir outra vez o cheiro a maresia !! Gaivotas é que não ouvi nenhuma... em compensação tinha o som das buzinas dos navios, como em Lisboa. Saudades...

No meu guia diziam ainda que havia um "jardim japonês" ... e fui à procura dele. Por entre autocarros, com o guia na mão, um caderno com frases em Japonês na outra e alguma ajuda das velhotas que ia encontrando pelo caminho lá cheguei ao Parque. Confesso que a primeira reacção foi um bocado de decepção, porque não era um Jardim Japonês como o concebemos normalmente, mas sim um parque, parecido com muitos outros.
Não baixando os braços, continuei a passear pelo parque pensando que provavelmente alguma coisa haveria de descobrir - parecia me ver ao longe um perfil de templo - e se não, ao menos teria passeado pelo meio das árvores, coisa que não faço há algum tempo. Engraçado era que o parque estava cheio de gente ... Japoneses gozando pique-niques que tinham trazido, com crianças, em casal etc, de kimono ou roupas ocidentais ... Parece ser um local de turismo local, para arejar da cidade ao fim de semana.

No fundo do parque, começaram a aparecer umas quantas casas e, como todas tinham um painel informativo, percebi a origem deste parque. No princípio do século XX, um rico industrial de fábricas de seda, decidiu que queria salvaguardar algum património arquitectónico do Japão e, sempre que sabia de alguma casa antiga ou templo em vias de destruição, ia buscá-lo, desmontava e voltava a montar no seu "jardim".
O resultado é um parque com um ar ligeiramente de parque temático, mas onde pelo menos se tem a oportunidade de ver casas tradicionais do século XVI, um bonito pagode e outras pequenas construções. E são de facto muito interessantes, na relação entre espaços, na relação com a natureza (por mais que as casas tenham sido recolocadas, segundo um panfleto que lá encontrei o dono do parque teve o cuidado de fazer arranjar o seu jardim com todos os preceitos japoneses de natureza e estações), a simplicidade, simetria, a maneira como a luz é filtrada pelas paredes de papel e refletida nas superfícies lacadas e no branco dos tatamis... Fantástico.
Enfim, o melhor é mesmo estando lá, mas ficam umas fotografias para terem uma ideia...















Depois da visita ao parque, passeei pela Chinatown de Yokohama. Ultra intenso, em vistas e ofertas comerciais, comidas etc... Atenção à loja (e eram várias!) de leituras da mão em série e ao templo "Kantey-byo" dedicado a Kanwu, deus do negócio ! E pelos vistos tem sucesso, tanto pela riqueza do templo como pela quantidade de lojas dos chineses que abrem pelo mundo fora!!









Finalmente, o porto de Yokohama, por onde passeei já de noite, com a vista para as torres novas, para os portos (e navios buzinantes), a torre farol (a luz lá em cima é mesmo encarnada e giratória! se funciona ou não como farol isso já terei de perguntar a quem saiba!) e, lá no meio, uma feira popular. Note-se que o aspecto da feira não tem nada a ver com as nossas ! Aqui tudo é limpo, esterilizado quase, com ar de Disney...








ps para os arquitectos: em Yokohama está o projecto dos FOA para o terminal de passageiros. Quando lá for de dia tiro fotografias e mostro...

Salsa Japonesa

Ainda me faltava contar aqui a minha primeira saída nocturna, que por acaso já foi há 10 dias ... o ritmo até agora tem sido tal que nem deu para relatar essa noite memorável. Mas este episódio não passa de hoje, antes que me esqueça dos pormenores. Então cá vai:

Com os ausmips de Tokyo (ausmip é o palavrão que designa os estudantes de arquitectura deste programa) tínhamos decidido ir dar uma voltar nocturna, mas desta vez para algum sítio que algum local conhecesse. O "local" neste caso acabou por ser uma portuguesa, antiga ausmip que se mudou para Tokyo por 3 anos, e que ia também sair, com mais outros quanto internacionais que estão por Tokyo a fazer mestrados e doutoramentos.

Parte dos "internacionais" do mestrado tinham tido uma apresentação nessa semana, por isso queriam festejar, arejar a cabeça e sobretudo dançar. E para o efeito escolheram ... um clube de salsa. A primeira reacção perante a ideia foi obviamente um pouco duvidosa (bar de salsa ?! pouco faz o meu genero...) mas de repente lembrei-me: um bar de salsa em Tokyo não será certamente como um bar de salsa em qualquer outra parte do mundo. Se não gostar da música será, pelo menos, interessante de se ver.

E com que espectáculo me deparei... Um bar, num primeiro andar de um prédio, onde os empregados eram um misto de Japoneses e Sul Americanos, forrado a espelhos, onde Japoneses dançavam. Passado algum tempo foram aparecendo mais alguns ocidentais, mas quando chegámos éramos claramente os únicos, sendo uma oportunidade de ver os Japoneses "dançar" salsa.

Porquê as aspas ? Vejamos: estavam uns 6 casais na pista, todos bem colocados na sua área de dança (não havia cotoveladas nem pisadelas acidentais apesar do espaço diminuto) e onde todos seguiam a preceito uma sucessão de passos, com um ar muito compenetrado (a roçar o ar de toureiro, de queixo levantado - provavelmente o que consideram ser um olhar latino...), muito direitos e compostos. Fundamental ainda era o olhar no espelho, de tanto em tanto, para garantir que os passos estavam a ser bem executados. Considerando a natureza das danças latinas, o ritmo, o mexe e remexe, eu não sei o que é que estes automatas estavam a fazer na pista, mas a coreografia essa, estava irrepreensível.

Não julguem que topei tudo isto por mera observação: a dada altura um Japonês, nos seus quarentas, convida-me para dançar. Meia surpreendida, meia sem saber o que fazer, lá fui eu. Eis se não quando ele agarra-me pela mão, coloca-se a 20 cm da minha pessoa, e começa a sua sucessão de passos e movimentos. Ora à esquerda ora à direita, ora põe a mão em pinça para pegar na minha (ainda fiquei uns segundos a olhar para a mão dele e a pensar "mas o que é que ele quer ?") e la vai ele feito robô tentando orientar esta "dança", sempre com os famosos 20cm de distância de segurança.
Eu já estava a beira do ataque de riso e a conter-me valentemente para não ser mal educada, quando de repente ele quer fazer um passo qualquer e eu, sem saber nada de nada de salsa, tropeço, piso-o, quase caio e levanto os ombros pedindo desculpa e dizendo "I don't know how to dance". Que desilusão fui para o homem ... e que vontade de rir ainda maior com o ar totalmente desamparado que ele tinha... então foi ele convidar uma ocidental e ela não sabe dançar ?!

Acho que a mensagem passou de tal forma que mais nenhum Japonês me desafiou...!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Verdes perdidos



Made in Tokyo

Já tinha visto imagens deste tipo de edifícios num livro chamado "Made in Tokyo", que mostra algumas das excentricidades desta cidade... Andava de olho aberto a ver se as descobria e, eis se não quando, no fim do uma avenida parece me ver algo metálico e estranho ... Era ela !! A montanha russa em cima de um centro comercial!
E cá estão as fotografias para o comprovar, da aproximação à chegada.






quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Culture clash

99 (thousand yen) shop...

Em Ginza, bairro "chique" comercial... Mostro estas fotografias porque a nível de arquitectura, muitas marcas pedem a arquitectos conhecidos para lhes desenhar as lojas... Como por exemplo aqui a Dior, por SANAA (Sejima + Nichizawa).



Cruzamento de Shibuya

O cruzamento mais conhecido do Japão. Imperdível. Em breve um vídeo, porque estas fotografias não lhe fazem justiça...

Em breve uma descrição do bairro de Shibuya e de uma noite de salsa y merengue (comecem já a imaginar a combinação Japonês + salsa y merengue...).




99 shop

Depois do fim de semana em Tokyo, ontem regressei para um par de dias exclusivamente em Chiba, para tratar de assuntos “domésticos” (“quartíficos” seria mais adequado...) como roupa, supermercado, burocracias e, já agora, estudar um pouco também. Assuntos banais e comuns certo, mas não desinteressantes quando se trata de os levar a bom termo no Japão!

Começo pelo básico: as idas ao supermercado. Até agora confesso que não tinham havido muitas idas ao supermercado, dado que não tinha feito uma refeição em casa. “Que luxo!” pensarão talvez, mas não tanto assim. De facto, por cá encontram-se refeições pré-cozinhadas (regra geral noodles ou arroz com alguma coisa extra) por 2 ou 3 euros, é uma questão de ir às lojas certas. Até agora tinha-me limitado a ir ao que designo como “a minha loja preferida”: a 99 shop.

Como o nome indica, é a loja dos 99 yen, ou seja dos 0.60 euros. E tal como as nossas antigas lojas dos 300, tudo aqui se compra a 99 yens (+ taxas = 104 ... mas 99 yen tem bem mais impacto!).

Imaginem um supermercado, em formato de loja de conveniência, aberto 24h, mas em que tudo, mas TUDO se vende a 99y. Vejamos (e passo a relatar exemplos do que efectivamente já comprei):

- 1 maçã : 99y

- 10 envelopes : 99 y

- 1 piaçá: 99y

- 2 esponjas : 99 y

- 2 cenouras: 99y

- 1 pimento : 99y

- 1 faca de cozinha (e bem afiada!) : 99y

- detergentes vários : 99y

- 30 molas de roupa: 99y

- 5 m de corda para roupa: 99y

- 5 cabides: 99y

And so on ... como podem ver a escolha é muito variada... quanto à qualidade, a comida é perfeitamente aceitável e parece me que os preços até são iguais aos de um supermercado normal, dadas as quantidades. Os objectos também parecem resistentes mas tenho dúvidas quanto aos detergentes... Vamos acreditar que sim senão tenho os meus pratos cheios de micróbios ... yuk.

Duvidando portanto da qualidade dos detergentes, tive de me dirigir a um supermercado mais convencional ... mas não sei se me facilitou assim tanto a tarefa, pois não existe uma única indicação em Inglês, onde então tudo se compra por instinto.... até agora ACHO que comprei detergente para a roupa e amaciador, e comprovei ao jantar que acertei no molho de soja e no azeite (sempre tinha umas azeitonas na embalagem). Uma dúvida subsiste: o leite de soja. Talvez alguns de entre vocês saibam que me mudei para o mundo da soja... mas quem diria, no país dela, estou com as maiores dificuldades em descobrir!! Até agora, comprei por duas vezes leite de vaca (e do bem gordo) e quando finalmente achava que tinha a embalagem correcta (branca e verde, como me tinham indicado), saiu-me na rifa uma espécie de limonada. Para a próxima havemos de lá chegar e, melhor ainda, perceber o departamento dos frescos, que são um amontoado de produtos derivados da soja e lacticínios, peixes sob todas as formas e feitio e alguma carne, da qual terei naturalmente de adivinhar a origem.

Existe ainda na maioria dos supermercados (como pude notar nas minhas investigações para o famoso centro comercial de subúrbio) uma zona enorme de comida pré-feita. A estrutura desta zona parece a de um mercado tradicional, mas em vez de termos a bancada do peixeiro, do queijeiro e da charcutaria, temos stands extremamente cuidados e arranjados de bolos franceses cheios de natas, pastelaria francesa, pastelaria japonesa, pastelaria inglesa, doces e mais doces (uma tentação pegada, e não estou a exagerar!), sushi, massas, noodles, arroz, sopa miso, chás, cafés e até mesmo – e que saudades tinha delas! – um enorme buffet de saladas! Sim, porque entre noodles, arroz e bolos e muito poucas saladas por aí, não sei como é que as japonesas conseguem manter a linha...

Perante a saudade do verde, dei-me ao luxo (e aqui sim foi um luxo de 9 euros) de hoje ao almoço comprar uma refeição pré-cozinhada, e escolhi obviamente uma deliciosa salada de presunto com limão confit, diversos tipos de verde, brócolos, pinhões e nozes... Mas quem bem que me soube!

Melhor ainda – ou mais alucinante! - foi o cenário em que sentei para almoçar. Não consegui tirar fotografias – fiquei sem bateria – mas tentem imaginar.

Ia eu à procura de algum verde pelo centro da cidade de Chiba – tinha lá ido tratar do telemóvel – quando, enganada por umas árvores que espreitavam por entre dois prédios, apercebo-me que não estou não no meio de um parque verde, mas de um parque de bicicletas e por cima de mim, em vez de troncos de árvores, os pilares monumentais do monorail de Chiba, e um brutal cruzamento de linhas de comboio aéreas. Que cenário. O comboio terrestre a passar à frente, as carruagens do monarail – que são suspensas – a voar por cima da minha cabeça, o céu tapado pela estrutura da linha de monorail e aqueles pilares de metal com uma altura de 9 andares ... Não era o bucólico que procurava, mas deparei-me com o tecnologicamente bizarro que se imagina encontrar por estas terras... Lembrando ainda a salada de “luxo” que tinha nas mãos e o Bruckner que estava a ouvir, combinem todos estes elementos e têm o meu almoço surrealista, no verdadeiro sentido da palavra.



ps: vou fugir à regra da escrita cronológica, e mais tarde escrevo sobre o fim de semana em Tokyo...