quarta-feira, 10 de outubro de 2007
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Delirious Suburbia
Tomei uma decisão quanto à forma de escrever neste blogue... andei aqui às voltas a tentar perceber a melhor forma de vos contar todas as histórias que se têm passado, os modos, costumes e situações insólitas... Mas acabam por ser tantas e se interligar, que mais vale ir contando os meus dias, e de vez em quando fazer uns pequenos apontamentos isolados. A ver se esta nova fórmula resulta...!
Então cá vamos: hoje comecei as aulas ! Não imaginam a confusão que foi nas nossas pobres cabeças de europeus para perceber onde tinhamos ido parar. E agora preciso de um bocadinho mais da vossa concentração, que isto é bastante complicado...
Eu estou inscrita na faculdade de Chiba, portanto subúrbio de Tokyo. Quando cá chegámos na semana passada, o nosso supervisor anunciou-nos a boa notícia: "houve um acordo entre escolas e vão ter aulas com os outros internacionais em Tokyo". HURRAY! Sim, vivo no subúrbio, mas afinal vou estar por Tokyo numa base diária, e com um pouco mais de companhia ocidental – os Japoneses são de um acolhimento exemplar, mas sabe bem ter conversas em que toda a gente se entende MESMO.
Feliz e contente estava, até perceber que afinal vamos ter aulas DA universidade de Tokyo, mas não EM Tokyo .... mas sim noutro subúrbio. Respira fundo Maria... o que interessa é cá estares e pelo menos sempre estarás com mais internacionais e cereja no bolo, é melhor ter no currículo “Tokyo University” do que “Chiba University” que ninguém faz ideia o que é. Vai ser bom.
Neste espírito cheguei eu hoje à faculdade (de Chiba) onde tinha encontro marcado com o Professor (de Chiba) para irmos para a primeira aula de apresentação (da U. de Tokyo, no outro subúrbio). Note-se que na faculdade, por volta do meio dia, começo a ver os meus “amigos” Japoneses a surgirem das salas com um ar macabro e ainda mais amarelo... “are you ok Nori?” perguntámos nós... E o Nori lá nos responde que tinham estado a beber na faculdade até às 7 da manhã e que na faculdade tinham dormido e tinham acabado de acordar... Isso é que é amor à escola....!
Depois desta revelação da cultura estudantil Japonesa, lá fomos para a nossa segunda casa nesta vida de “commuter”, o comboio. Hora e pouco depois, chegamos a KASHIWA-NO-HA Campus, onde o Professor Ohno (U. Tokyo) nos recebe e informa “afinal vocês serão os únicos internacionais”. Chapéu. Respira fundo... Vai ser bom.
Começam as apresentações para escolhermos o projecto que vamos querer desenvolver, tudo em Japonês. Eis que, mais uma descoberta, é um curso de mestrado! E confesso que o tema nem é, apesar de interessante e importante para os tempos correntes, dos que domine melhor, nem me suscite mais interesse: Integrated Environmental Design. E neste programa tínhamos duas opções:
1. Delirious Suburbia: Como tornar os subúrbios felizes (a palavra utilizada foi mesmo HAPPY) utilizando como elemento centralizador um centro comercial
2. O Carro e a Garagem nas Moradias Suburbanas: desenhar um novo modelo de garagem, integrada na moradia, portão de entrada e/ou um novo paradigma de automóvel...
Mestrado ... Subúrbio ... Carro ... Garagem ... Centro Comercial ... estas palavras iam se misturando na minha cabeça ... a sensação que tive de repente foi de estar naqueles pesadelos em que, sem pré-aviso, estamos em frente a um teste de matemática de grau avançado sem sequer sabermos contar...
Respira fundo... vai ser bom.
Como sabem pelo meu cunhado Tiago ainda vou vendo alguns carros mas, pedindo desculpa aos entusiastas automobilísticos, desenhar “um novo paradigma de automóvel” está um bocado demais fora do meu alcance ... Comecei então a olhar para os subúrbios e centros comerciais. “Delirious”... parece-me um bocado brincadeirinha à Koolhas (outro arquitecto holandês), mas porque não... e na necessidade absoluta de ter de fazer um centro comercial, pelo menos mais vale saber fazê-los bem. Na apresentação tinha-se falado em unir espaços públicos e serviços privados... porque não, até pode ser interessante. E acima de tudo, já que vivo e estudo nos subúrbios, vamos estudá-los também! Ficou decidido, Delirious suburbia, here I come!
E à boa maneira Japondesa, começámos logo a trabalhar, na fase de pesquisa (que terei de entregar já daqui a duas semanas...), em visitas ao local. Ou seja, visitar Centros Comerciais. Tenho a dizer que até foi bem interessante a maneira como o Ukay (meu professor nos próximos 2 meses) nos fez analisar e observar, mas não vos vou maçar com isso... Quem quizer mais informações, pergunte-me!
Mas vou sim dar algumas luzes sobre os centros comerciais Japoneses... novinhos em folha, ou sempre assim o parecem, e onde praticamente não se vêem lojas de aparência Japonesa! Existe um fascínio pela Europa, e em especial por França, de maneira que a grande maioria das lojas, mesmo de origem local, têm uma referência francesa... impressionante. Acho que explica a massa de Japoneses que se passeavam muito juntinhos pelos Champs-Elysées fora, fazendo filas intermináveis na Louis Vuitton... ah, e insistem em escrever palavras apelativas em Inglês, mas chegamos lá, e continua tudo em Japonês...
Bom, o relato já vai bem longo... de maneira que me despeço com algumas fotografias. – Pois é, já tenho máquina! Mas essa aventura fica para amanhã !
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Links do lado direito
Estam do lado direito deste blogue alguns sites com informação- em inglês- sobre os vários eventos em Tokyo, e mesmo Japão. Pedia-vos então para de vez em quando lá darem um espreitadela e, se virem alguma coisa interessante, avisem, para eu tentar ir !
Desde já, arigato !
Um Japonês para cada ofício
Chegada à Universidade. De facto, a primeira coisa que tive de fazer chegando ao Japão foi desenvencilhar-me para chegar ao Campus de Chiba* por transportes públicos.**
Para ser honesta, “desenvencilhar-me” é uma palavra bem forte, graças ao meu orientador de cá, Professor Masao Ando, ilustre arquitecto japonês desconhecido – não confundir com o Tadao Ando – que aparentemente tirou o curso algures por terras inglesas, exibindo um perfeito sotaque britânico, característica única e rara por estas bandas. Graças ao Professor Ando dizia eu, porque previamente enviou-me um mail com todas as direcções e mapas possíveis... Sendo pois o primeiro exemplo de prestabilidade dos Japoneses.
De facto, mal chegámos (no plural porque sou eu e um belga) tínhamos uma trupe de estudantes à nossa espera – uns à nossa espera, outros estavam simplesmente pela faculdade e decidiram juntar-se à equipa de recepção – em que um nos levaria à residência, outro haveria de tratar dos telemóveis (mais: no mesmo dia começou a estudar o assunto para ver qual seria o tarifário que mais nos conviria), outro ficou incumbido de nos arranjar bicicletas e no dia seguinte outro ainda nos levaria até Tokyo.
E agora, para dar o toque de má-língua nacional, isto tudo passou-se na quinta-feira, entretanto foi o fim de semana ... vamos a ver como corre!
Mas estou bem confiante quanto à eficiência nipónica ... arigato gozaímas!
*Chiba é a minha terriola dos suburbios de Tóquio, conhecida pelo Chiba Urban Monorail - http://en.wikipedia.org/wiki/Chiba_Urban_Monorail - , por ser uma cidade dormitório –ver futuramente o post “commuter life”, em construção – e por receber a Tokyo Disneyland! Mais sobre Chiba ao longo dos meses !
**Futuramente escreverei bem mais sobre os transportes, mas nesta viagem o elemento mais marcante (por ser a primeira vez que o via) foi um "pica", impecavelmente fardado de chapéu (bem rígido, simetricamente colocado no cimo da cabeça) e luva branca, que em cada carruagem se apresentava (suponho eu) e nos saudava com uma perfeita, cerimoniosa e respeituosa reverência japanesa (digo cerimoniosa e respeituosa porque quanto menor o ângulo que formam e mais direitinhos o fazem, mais respeito demonstram). Algo que os funcionários barrigudos e de camisa por entalar bem poderiam aprender...
Notícias e fotografias em breve
Já cheguei a terras nipónicas!
Logo no primeiro instante houve necessidade de criar este blogue, porque até agora cada momento tem uma história, e são histórias que gostava de vos contar.
Para já não tenho máquina fotográfica, portanto durante uns tempos serão apenas relatos escritos, nos quais tentarei ser o mais descritiva possível para tentar fazer-vos imaginar, dentro d0 possível, um pouco do que se tem visto por cá...
Espero que gostem e contribuam!
Até já,
Maria







